Meditar

Ao sentar-me para escrever sobre o tema, sinto o mesmo desconforto das tentativas de meditar sozinha. É um vai e vem de ideias, imagens, sons, etc., que mais parecem um turbilhão do que uma tentativa de concentração. A respiração ofega, os olhos tremem, a distonia incomoda. Os sons chegam a todo volume, secos, graves, martelantes, latidos, gritos, motos, carros… e é neles que presto atenção. Sons da cidade que chegam de fora, anônimos, mas que se adentram e, sorrateiramente, tomam conta de todo o meu corpo, do meu pensamento, como se apenas eles existissem e importassem. Aos poucos, tornam-se uniformes, inaudíveis, e uma sensação de leveza substitui toda inquietação. Saio desse transe momentâneo com um jogo de palavras na cabeça: meditar… me ditar, me editar. Uma nova experiência, novas possibilidades.

É apenas um começo.

São Paulo, Outubro de 2017

Mariângela Di Bella