Rosária de Fátima Segger Macri, Russo, eis o nome

Rosário, Rosália, Rosaria, Maria Rosa… quantas versões pode ter um nome? Corrige e deixa a pessoa sem graça? Ou deixa pra lá, pois o que importa é que te chamem? Na maioria das vezes deixo pra lá, mas não perdoo quando erram ao responder meu e-mail assinado.

Como todo nome, o meu tem uma história. Primeira filha, muito esperada, medo de dar algo errado, é claro que a solução é fazer uma promessa. Que tal dar ao bebê um nome de santa? Nossa Senhora do Rosário de Fátima? Para simplificar: Rosária de Fátima.

Nascido o bebê, com o gênero certo, o batismo não poderia ser assim… simplesinho. Foi na cidade de Aparecida, toda a família presente: mãe, pai, avó, tia, tio, outra tia segurando o bebê no batizado. Não, não é a madrinha, pois ela representa a Nossa Senhora que é a madrinha. Confuso para uma criancinha, não é? Madrinha que não é madrinha… Santa que é madrinha, mas não aparece. Deixa pra lá.

Fora isso, é claro que o bebê tinha que ter todos os nomes do mundo: quatro. Mãe mineira de família pequena, com sobrenome diferente, difícil de escrever: “Segger, como é que se pronuncia mesmo: Seger ou Seguer?” Pai filho de italiano, herdou o sobrenome calabrês: Macri. Tantos nomes e tão diferentes, eles se tornaram um fardo, mas me identificam e a mais ninguém. Ainda assim, do namorado que não acreditava que eu passaria no vestibular, tive que ouvir: “tem certeza que leu o seu nome na lista?” Olhinhos virados para cima: “CLARO que tenho!!!!!”

Época de casamento, toda moça sonha em acrescentar o nome do amado ao seu. Eu, com meu noivo feminista, socialista, quase comunista, quando ouço a pergunta do escrivão: “vai acrescentar o sobrenome do marido?”, penso… Falo que talvez seja melhor não acrescentar mais um nome aos já existentes, mudar de identidade, mudar documentos… Ouço: “mas você não vai usar o meu nome?” “Claro que vou, meu amor!”

Agora são cinco. Dá uma canseira quando ouço: “Por favor, nome completo!” Penso: “não tenho que apresentar documento”; respondo: “Rosária Russo”. Não é completo, mas é a força que me representa. O engraçado é que nunca ouço: “só?”

Rosária Russo, 7 nov. 2017